Cercadas por hackers

[img:Crackers.jpg,full,alinhar_dir_caixa]Num mundo conectado pela web, as empresas encontram mais dificuldade para proteger seus dados

Ver origem da matéria de Ricardo Cesar e Marcelo Onaga – Exame

A dois dias do Natal de 2005, o engenheiro Sérgio Henrique Miorin pediu demissão da subsidiária brasileira da Kromberg & Schubert, empresa alemã do setor de autopeças, para assumir uma posição numa concorrente mundial da companhia, a também alemã Leoni. Meses depois, um dos novos colegas de Miorin, incomodado com o sucesso repentino do novo funcionário, tomou uma atitude incomum. Enviou e-mails anônimos à diretoria da Kromberg levantando a suspeita de que Miorin tivesse roubado informações estratégicas da empresa. As mensagens incluíam a planta da fábrica da Kromberg e até mesmo esquemas de montagem de produtos e projetos de peças ainda não lançadas no país. Os responsáveis pelo furto nem sequer se deram ao trabalho de mudar o nome dos arquivos, que começavam com a sigla KSBR (iniciais de Kromberg & Schubert do Brasil), seguida de números. A Kromberg acionou seus advogados e, no fim do ano passado, conseguiu um mandado de busca e apreensão para analisar os computadores da Leoni. Lá, os policiais encontraram tudo o que a denúncia indicava. O caso ainda segue na Justiça. Miorin e o presidente da Leoni, José Parolin, preferiram não se manifestar sobre o incidente.

Trata-se de um caso típico de furto de segredos industriais, mas com uma diferença fundamental: o criminoso não precisou de habilidade para cometer o delito. Bastavam a ele o acesso a um computador equipado com um gravador de CDs e uma senha para a rede da empresa — ou seja, foi a própria vítima quem colocou a arma nas mãos do autor do crime. Esse é um lado obscuro do crescente uso da tecnologia no dia-a-dia das empresas. A digitalização das informações aumenta a produtividade dos indivíduos e dos negócios, mas também abre um novo e complexo problema relacionado à segurança, especialmente quando os computadores estão conectados à internet. “Com a web, as empresas se abriram mais para o mundo, mas o risco aumentou substancialmente”, diz Edgard D’Andrea, sócio responsável pela área de serviços de segurança da PricewaterhouseCoopers. Isso significa vigilância constante e investimentos cada vez maiores. Segundo a consultoria IDC, o mercado mundial de equipamentos, software e serviços de segurança da informação vai movimentar um volume superior a 100 bilhões de dólares neste ano. Mas, assim como não bastam trancas e muros para proteger uma casa, só dinheiro não é suficiente para resolver o problema. Depois do incidente, os executivos da Kromberg bloquearam os gravadores de CDs dos micros e impuseram controles para o uso de dispositivos de armazenamento portáteis, como os chaveiros de memória. Agora, apenas um profissional tem permissão de fazer cópias de arquivos. As medidas evitarão novas dores de cabeça, mas não podem ressarcir o prejuízo que já aconteceu.

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Baseado em modelo de Dansette