Seis lições aprendidas no Simpósio Computação Corporativa Verde
[img:Ecologia_1.jpg,full,alinhar_esq_caixa]
Evento deixa a mensagem que, se você elimina o desperdício no data Center, gasta menos com manutenção, faz melhor uso do que tem e reduz o impacto ambiental.
“Verde = eficiência = economia” foi um tema recorrente no Simpósio Computação Corporativa Verde promovido pelo Uptime Institute este ano, em Orlando (EUA). A mensagem é simples, sim, mas está de acordo com a justificativa de adotar práticas mais verdes no datacenter: se você elimina o desperdício, você gasta menos dinheiro com aquisições e manutenção, faz melhor uso do que tem e reduz o impacto ambiental da sua organização.
Compreender este conceito não é tão difícil. O grande desafio, compartilhado por mais de 400 participantes do simpósio, continua sendo passar do ineficiente Ponto A ao eficiente Ponto Verde. Se ao menos existisse uma máquina plug-and-play que você pudesse instalar no datacenter (uma Green-o-matic 3000) para, num passe de mágica, otimizar a refrigeração, elevar a utilização a 99%, rastrear máquinas zumbis e reduzir a zero a emissão de carbono nas instalações…
Infelizmente, nenhum fornecedor anunciou algo do gênero e os participantes do simpósio terão que se apoiar em algumas lições colhidas no evento.
1. Meça alguma coisa
Se você for um atleta olímpico lutando para baixar segundos do seu tempo, um cronômetro é uma ferramenta vital. Do contrário, como saberá qual é seu melhor tempo e se conseguiu melhorá-lo?
O mesmo vale para um administrador de TI empenhado em aumentar a eficiência do datacenter. Em primeiro lugar, para ter uma idéia do quão eficiente (ou ineficiente) você é, bem como avaliar o impacto de implementar diferentes estratégias, você precisa medir, medir e medir.
Obviamente, isso levanta uma pergunta-chave: o que devo medir? PUE (Power Usage Effectiveness) e DCIE (Data Center Infrastructure Efficiency) são bons pontos de partida. Estas métricas foram concebidas pelo Green Grid para permitir que as organizações saibam quanta energia consumida no datacenter está chegando ao equipamento de TI para executar o trabalho, em comparação aos watts que estão sendo consumidos em conversão de energia, refrigeração e outras tarefas não-produtivas.
2. Certifique-se de que cada máquina em operação tem uma finalidade
Muitas empresas colhem recompensas verdes ao vasculhar o datacenter em busca de servidores que não estão proporcionando benefícios óbvios, mas permanecem plugados, consumindo watts e espaço valiosos. Passeios periódicos pelo datacenter ajudam a detectar estas máquinas, mas algumas organizações estão dando um passo adiante.
Nestas empresas, alguém de TI solicita regularmente que usuários ou chefes de departamento justifiquem os servidores e demais equipamento de TI em atividade. Algumas organizações, como a Microsoft, vão mais além e cobram aos departamentos os recursos de TI utilizados. Segundo a companhia, esta abordagem tornou os usuários mais pró-ativos em termos de redução do consumo, visto que há uma recompensa clara – aumento do budget – para fazer isso.
3. Colha o fruto mais fácil das instalações
Quarenta por cento dos ventiladores de resfriamento em uma sala de computadores estão em operação por causa de administração incompetente ou contenção inadequada do ar refrigerado, de acordo com o Uptime, e grande parte deste desperdício pode ser resolvido facilmente com a adoção de melhores práticas padrões. Entre elas: tampar buracos, ajustar temperaturas e eliminar pontos quentes.
4. Envolva os executivos C-level
Recentemente, escrevi sobre a importância fundamental de envolver usuários finais no processo de se tornar verde. A realidade é que uma iniciativa corporativa de computação verde se torna muito mais fácil e potencialmente bem-sucedida quando você tem a adesão dos CXOs. A pergunta é: como fazer o CEO ou o CFO se importar se o datacenter fica mais verde?
Para começar, demonstre como a equação “verde = eficiência = economia” pode ajudar.
Dizer a um CXO “reduziremos nossa emissão de carbono em 20% e nossos custos de energia anuais em US$500 mil se fizermos isso” é um argumento duplamente convincente, abordando não só os benefícios em termos de resultados financeiros, mas também os esforços de responsabilidade social corporativa, cada vez mais valiosos, que tanto atraem os investidores e os clientes.
Painéis que indicam o uso e a economia de energia ao longo do tempo (veja No. 1) também favorecem sua justificativa. Apontar em um gráfico uma queda significativa no desperdício de energia depois de instalar um novo sistema CRAC (computer room air-conditioning) ou de implementar um projeto de virtualização, por exemplo, pode facilitar a aprovação de recursos para futuras iniciativas verdes.
5. Coloque a virtualização na mesa
Como acontece com a maioria das tecnologias, a virtualização tem seus poréns: não é para todos e, certamente, não é fácil de implementar. Dito isso, a virtualização foi uma das tecnologias mais discutidas no simpósio do Uptime, já que apresenta o potencial de descartar ou redistribuir grande parte do hardware da sua organização.
Conforme revelou o editor do site do InfoWorld, Tom Kaneshige, “a IBM começou a transferir a carga de trabalho de seus 3,9 mil servidores para 30 mainframes System z9 virtualizados executando o Linux. A Big Blue espera reduzir o consumo de energia em 80%, o correspondente a mais de US$2 milhões em custos de energia. Por sua vez, a NetApp consolidou 343 servidores em 177 via virtualização e trocou 50 sistemas de armazenamento por 10 novos”.
6. Considere terceirizar
Pondere os benefícios de transferir para terceiros a totalidade (ou parte) das necessidades de consumo de energia por TI. É totalmente possível um fornecedor externo oferecer serviços mais baratos e eficientes do que você pode proporcionar.
Em vez de hospedar seus próprios servidores de e-mail, por exemplo, que tal recorrer a um serviço como o Gmail ou uma versão hospedada do Exchange? E se, ao invés de investir em mais equipamento de storage, você usar um serviço como o Amazon S3? Você pode continuar evoluindo até terceirizar praticamente todas as necessidades do seu datacenter.
Estas são apenas algumas amostras de lições e temas do Simpósio Computação Corporativa Verde do Uptime. Em futuros posts abordarei outros tópicos como AC vs. DC e “datacenters em máquinas”.
Fonte: Ted Samson – Computerworld, EUA – 08 de maio de 2008 – 07h20

















